Um cientista da Universidade de Harvard anunciou o lançamento do projeto Galileo. Sua missão é procurar objetos alienígenas no sistema solar, relata a Science.
Os participantes do projeto financiado por fundos de caridade pretendem investigar satélites, objetos próximos à Terra, corpos interestelares de origem natural ou artificial e, possivelmente, OVNIs.
Eles usarão telescópios existentes e planejados. Um deles: o Observatório Vera Rubin com lançamento previsto para 2023.
O Observatório Vera C. Rubin, anteriormente o Grande Telescópio de Levantamento Sinóptico, em construção em Cerro Pachon, Chile.Crédito...Projeto LSST / NSF / AURA
A observação constante permitirá a identificação precoce de objetos incomuns. Assim, os astrônomos terão mais tempo para estudá-los.
Portanto, o asteroide interestelar Oumuamua foi estudado por apenas dois meses. Mais tarde saiu do campo de visão dos telescópios.
O iniciador do projeto Galileo, o astrofísico teórico Avi Loeb, acredita que o asteroide era uma nave alienígena. A comunidade científica estava cética sobre suas descobertas mas observou que o projeto de monitoramento do sistema solar em si seria útil.
Oumuamua
No momento sabe-se de dois objetos interestelares que passaram voando pelo Sol: este é o asteroide Oumuamua e o cometa Borisov. Os cientistas esperam que no futuro eles sejam capazes de descobrir novos corpos do espaço sideral e obter material exclusivo para análises científicas.
O projeto Galileo também planeja procurar artefatos alienígenas nas imediações da Terra. Mais cedo o diretor da Inteligência Nacional dos EUA disse que os militares e os serviços de inteligência relataram 144 avistamentos de OVNIs.
O Projeto Galileo apóia a busca não apenas por vida extraterrestre em si mas por evidências de civilizações avançadas que poderiam deixar pistas por meio da tecnologia que criaram - migalhas de pão conhecidas como tecnossignaturas.
“Dada a abundância recentemente descoberta de exoplanetas de zonas habitáveis com potencial para vida extraterrestre o Projeto Galileo se dedica à proposição de que os humanos não podem mais ignorar a possível existência de ETCs”, disse Loeb no comunicado.
“A ciência não deve rejeitar explicações extraterrestres em potencial por causa do estigma social ou preferências culturais que não conduzem ao método científico de investigação empírica imparcial. Agora devemos 'ousar olhar através de novos telescópios', tanto literal quanto figurativamente. ”
Os participantes do projeto pretendem obter imagens de objetos voadores de alta qualidade para estabelecer sua natureza. O terceiro objetivo do projeto é pesquisar satélites extraterrestres na órbita da Terra usando métodos de inteligência artificial para processar dados de telescópios de pesquisa existentes.
Os astrônomos ainda não desistiram de procurar vida para lá da Terra e acabam de criar um novo método para encontrar exoplanetas habitáveis que envolve o uso da Lua como uma espécie de espelho gigante.
Especialistas da NASA e da ESA utilizaram o Telescópio Espacial Hubble para captar a luz refletida na Lua depois de esta viajar na atmosfera da Terra durante o eclipse lunar que ocorreu entre 20 e 21 janeiro de 2019, escreve o portal Space.com.
Na prática, ao estudarem este reflexo na atmosfera terrestre que é habitável os cientistas procuram encontrar as mesmas assinaturas químicas em exoplanetas distantes podendo indiciar outras formas de vida até agora desconhecidas.
Quando os cientistas falam em planetas “semelhantes à Terra”, referem-se, normalmente, a mundos rochosos com aproximadamente o mesmo tamanho do nosso planeta e a uma determinada distância de uma estrela hospedeira de forma a ter uma temperatura habitável, nota o portal de ciência Futurism.
No entanto, é muito mais difícil perceber se estes exoplanetas têm realmente uma atmosfera ou se podem ser hospitaleiros à vida – e é aqui que as assinaturas químicas procuradas com o “espelho gigante” lunar podem ser úteis.
“Um dos principais objetivos da NASA passa por identificar planetas que poderão sustentar vida (…) Mas como saberemos se se trata de um planeta habitável ou desabitado se víssemos um?”, questionou Allison Youngblood, cientista do Hubble, citado em comunicado.
E é exatamente aqui que reside a importância da nova investigação, que mediu a quantidade de ozono presente na atmosfera da Terra. Localizar esta mesma assinatura química a emanar de um exoplaneta, pode significar que esse mundo tem uma atmosfera rica em oxigênio e bloqueadora da radiação UV, tal como a Terra.
A procura por vida para lá da Terra pode tornar-se mais fácil com este estudo, cujos resultados foram recentemente publicados na revista The Astronomical Journal.
O país asiático constrói o maior radiotelescópio do mundo e planeja tê-lo pronto em setembro.Neste momento, em uma região montanhosa e remota no sudoeste da China, encontram-se em curso os últimos passos da construção da maior antena do mundo, para captar sinais de vida extraterrestre. O telescópio FAST terá um disco de recepção de 500 metros concebido para captar sinais de rádio emitidos a milhões de anos-luz da Terra.
Trata-se de um dos elementos simbólicos mais avançados do programa científico e espacial do país asiático e que foi construído em tempo recorde, pois começou a ser erguido em 2011 —e o Governo planeja tê-lo pronto em setembro deste ano. Para garantir que o FAST não sofra problemas de interferência, o país irá desalojar 9.000 habitantes da província de Guizhou, segundo informou a agência Xinhua, citada pelo jornal britânico The Guardian. Todas as pessoas que viviam em um raio de cinco quilômetros de Dawodang serão desalojadas e receberão do Governo uma indenização equivalente a cerca de 1.800 euros (pouco mais de 8.000 reais).
A gigantesca instalação foi inspirada no Arecibo, o maior radiotelescópio do mundo, que está em operação em Porto Rico e é conhecido por ter aparecido em filmes como Contact, sobre uma comunicação de alienígenas com a Terra. O FAST terá uma sensibilidade no mínimo duas vezes maior e será entre cinco e dez vezes mais rápido do que o seu antecessor, segundo a página do projeto na Internet.
Um dos objetivos científicos declarados do novo telescópio é a busca por inteligência extraterrestre, ou SETI (em inglês), com uma potência bem maior do que a de qualquer outra antena já utilizada até hoje. Os responsáveis pelo projeto calculam que o FAST poderá observar um milhão de estrelas e os planetas à sua volta em busca de sinais de civilizações avançadas. O instrumento tinha, em 2011, um custo estimando em 100 milhões de euros (cerca de 450 milhões de reais).
O astrônomo Nan Rendong, chefe científico do projeto, confirma que o instrumento deve começar a ser operado em setembro deste ano. O FAST “será semelhante a outros radiotelescópios, e procurará possíveis comunicações alienígenas, sobretudo na faixa de 18 a 21 centímetros”, explica ele ao EL PAÍS. O projeto irá monitorar o espaço em torno de estrelas semelhantes ao Sol e exoplanetas rochosos descobertos até hoje. “Espera-se que o FAST capte sinais mais distantes do que todos os outros instrumentos. Essa distância depende não só do poder do nosso disco, mas também do poder dos discos dos alienígenas”, afirma. “Pessoalmente, eu me questiono sobre a natureza de outras civilizações e sobre quanto elas podem durar”, diz o cientista.
À procura de homenzinhos verdes
A busca de sinais de rádio de civilizações avançadas tem sido feita desde os anos 1970. Supõe-se que os sinais que o nosso planeta vem retransmitindo desde a Segunda Guerra Mundial tenham chegado a vários milhares de sistemas estelares, mas, por enquanto, todos os indícios de homenzinhos verdes captados por telescópios terrestres se mostraram falsos.
Muitos dos telescópios que buscam captar esses sinais precisam estar isolados de estações repetidoras de televisão, telefonia móvel e até mesmo sinais sem fio de WiFi. A China trabalha nesse projeto desde 1994. Quatrocentas depressões geográficas foram analisadas antes de se chegar à de Dawodang, uma área montanhosa de onde o projeto previa deslocar cerca de um milhão de metros cúbicos de terra.
A sigla FAST significa “telescópio esférico com abertura de 500 metros” em inglês. A base de rocha cárstica onde ele será afixado está sendo preenchida com 4.000 painéis triangulares que funcionarão como uma grande antena.
Além de sinais extraterrestres, há outros objetivos, como uma catalogação da distribuição de hidrogênio atômico neutro no universo, a busca de matéria escura e energia escura e a detecção e observação de pulsares. Em Arecibo, observações desse último tipo tornaram possível a obtenção da primeira prova indireta das ondas gravitacionais, em 1978, pela qual Rusell Hulse e Joseph Taylor receberam o Prêmio Nobel de Física em 1993.
“É um projeto impressionante”, avalia Jesús Martín Pintado, coordenador do grupo de Astronomia da Rede de Infraestruturas de Astronomia (RIA), da Espanha. “É como um banco de testes com o qual a China desenvolve a sua própria tecnologia de detectores e antenas de grandes dimensões”, explica.
O próximo passo será desenvolver detectores ainda mais precisos e avançados, como aqueles que estarão no megaprojeto SKA. Trata-se, nesse caso, de uma rede de telescópios de rádio que será espalhada entre a África e a Austrália e que constituirá uma área de recepção de um quilômetro quadrado, de longe a maior do mundo. A China é um dos países integrantes do projeto, que implicará na construção da maior infraestrutura científica do planeta e que começará a funcionar em 2020. Quem sabe, até lá, Pequim já não terá em seu poder o primeiro sinal de rádio extraterrestre.
UMA ANTENA PARA EMITIR SINAIS CIFRADOS
O grande trunfo de Arecibo enquanto maior radiotelescópio do mundo não é tanto o diâmetro de 300 metros, mas a antena emissora que fica ao lado. Esse equipamento permite que se enviem sinais poderosos de rádio para diferentes corpos e que se estudem as suas ondas quando retornam. “Em algumas apresentações do projeto FAST em congressos internacionais, foi dito que se pretendia instalar uma antena emissora como essa com o objetivo de fazer uma cartografia da Lua, embora não esteja claro se o fizeram e se possuem a tecnologia necessária para isso”, explica Rafael Rodrigo, ex-diretor do CSIC e radioastrônomo do Instituto Internacional de Ciências Espaciais, na Suíça.
Esse tipo de antena emissora também permite definir asteroides e outros corpos celestes. Em 1974, o telescópio de Arecibo enviou, com esse tipo de dispositivo, uma das mensagens mais emblemáticas da busca por uma inteligência extraterrestre. Ela foi redigida por Francis Drake, pioneiro do SETI, Carl Sagan e outros especialistas e continha a figura de um homem, o DNA e as bases bioquímicas da vida, entre outros conceitos. Era mais uma demonstração tecnológica do que uma tentativa de contatar extraterrestres, já que a emissão levará cerca de 21.000 anos para chegar ao seu destino no cúmulo de Hércules.