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quarta-feira, 27 de março de 2019

Nova era espacial de Alcântara Garante Lucros: Brasil e Estados Unidos assinam “Acordo de Salvaguardas Tecnológicas”

                         A era espacial, Alcântara pode mudar o jogo

Eduardo Karpat
Brasil e Estados Unidos assinaram semana passada um “Acordo de Salvaguardas Tecnológicas”, o primeiro passo em direção a uma colaboração para o uso comercial da base de Alcântara.

Os dois países haviam assinado um acordo semelhante em 2000, durante os governos FHC e Clinton, mas ele acabou sendo derrubado pela oposição no Congresso. Muita coisa mudou nos quase 20 anos entre os dois acordos, tanto na economia espacial como na política brasileira, que fazem com que este acordo seja muito mais promissor do que o primeiro.

Do lado espacial, os satélites estão cada vez menores e o custo de lançamento não para de cair (caiu quase dez vezes nos últimos dez anos, medido em $/Kg). Hoje um satélite do tamanho de uma caixa de sapatos pode custar menos de um milhão de dólares incluindo o lançamento.

Com os avanços tecnológicos e barateamento do acesso ao espaço, há um boom de startups sendo criadas para oferecer serviços que derivam de satélites.

Alguns exemplos desses serviços são o rastreamento de veículos e embarcações, observação de áreas de interesse (como fazendas, pipelines, países adversários), previsão do tempo, comunicação de pessoas e equipamentos (IoT) em áreas rurais ou remotas, e até comunicação entre os próprios satélites. Nos EUA, até estudantes de ginásio já enviaram satélites-cubo (cubesats) ao espaço a um custo total de US$ 90 mil.

Com a corrida atual, consultorias especializadas estimam que o número de satélites operando pode pular de 1.900 hoje para 10 mil em 2030.

No ano passado, o setor puxou cerca de US$ 260 bilhões de receita na sua cadeia, crescendo 7% ao ano nos últimos cinco anos. A demanda para lançamentos não falta. O grande gargalo é a oferta de lançamentos em si.

Apesar dos custos para lançar um foguete terem caído de centenas de milhões para dezenas — graças a fatores como reusabilidade e maior competição — os lançamentos ainda são esparsos e focados em atender os grandes satélites. Isso desencadeou uma nova onda de inovação para atender à classe emergente dos pequenos satélites.

De um lado, entraram na moda os ‘rideshares’, quando os pequenos satélites ‘pegam carona’ com os grandes. De outro, se iniciou uma corrida entre novas empresas de foguetes, muitas delas dedicadas ao mercado dos pequenos. A Vector Launch, empresa investida pela Lapa Capital, é uma delas.

A posição de Alcântara a apenas dois graus ao sul do Equador usa a rotação da Terra em seu favor, economizando combustível em até 30% e barateando em muito o custo do lançamento. O caso mais próximo é o da estação de Kouru, na Guiana Francesa, que fica em distância semelhante ao Equador (cinco graus). Considera-se que Kouru — sob jurisdição francesa e europeia — trouxe uma grande vantagem competitiva à empresa francesa Ariane, que lança seus foguetes de lá desde 1979 e concorre com as americanas ULA e SpaceX.

Por isso os Estados Unidos, cuja predominância na economia espacial é difícil de ignorar, nunca perderam o interesse, e voltaram à mesa de negociação a convite do governo Temer. Nos últimos dois anos, várias empresas de foguetes como SpaceX, Vector e ULA visitaram Alcântara. O CEO da Vector, Jim Cantrell, um veterano do mercado espacial e um dos fundadores da SpaceX, disse que está animado com a abertura da base e interessado em lançar a partir de lá, citando a economia de combustível.

O governo brasileiro estima que pode faturar pelo menos R$ 150 milhões em taxas de lançamento ao ano, o que pode ajudar a desenterrar o programa espacial brasileiro. A ideia é assinar o mesmo acordo de salvaguardas com outros países.

O texto do novo acordo foi melhorado para evitar ambiguidades e dirimir receios sobre uma eventual perda de soberania nacional, o principal argumento usado pela oposição no Congresso brasileiro há quase 20 anos.

Além de se dizer ‘open for business’ e de manter um alinhamento ideológico com o governo Trump, o governo Bolsonaro tem Marcos Pontes, o primeiro e único astronauta brasileiro, como Ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações. Ele integrou a comissão foi a Washington e assinou o documento.

Agora só falta o Congresso entender... e aprovar.

Eduardo Karpat é fundador da Lapa Capital, uma empresa de investimentos sediada em Nova York. É engenheiro eletricista pela USP e mestre em finanças pela London Business School.
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sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Recuo do Mar continua, entenda mais sobre o fenômeno: Maré Astronômica e Meteorológica!

O recuo do mar por conta da maré baixa deixou à mostra em Florianópolis os destroços do navio Guarará, que afundou há 63 anos. A embarcação está a mais de 100 metros da areia da praia do Pântano do Sul, no Sul da Ilha. Esta é a segunda vez que o estado registra maré baixa neste mês, como mostrou o NSC Notícias desta quinta-feira (24).
A região litorânea de Santa Catarina começou a registrar maré seca nesta quinta. Com isso, em diversas cidades, a faixa de areia se estendeu, e barcos que antes ficavam na água estão agora em área seca. O fenômeno deve seguir até sábado (26), conforme a Epagri/Ciram, órgão que monitora as condições climáticas do estado. O meteorologista Leandro Puchalski enfatizou que a maré baixa não está relacionada a tsunamis.
Em Balneário Rincão, no Sul do estado, o mar chegou a recuar 30 metros , segundo pescadores. A maré baixa também atinge os rios, o que impede de levar os barcos para o mar. "50 anos que eu tenho de idade, eu nunca vi uma maré assim tão baixa nos nossos rios", afirmou o pescador Rogério Cardoso.
Destroços do navio Guarará puderam ser vistos na praia do Pântano do Sul 
(Foto: Reprodução/NSC TV) 

Uma grande faixa de areia tomou conta do Rio Itajaí-Açu, no Vale do Itajaí, no local conhecido como Lagoa Saco da Fazenda. Um veleiro chegou a ficar encalhado.

Maré astronômica e meteorológica
O que faz a água subir e baixar todo dia é a atração gravitacional que os astros, especialmente o sol e a lua, exercem sobre os oceanos do planeta. Esse fenômeno é conhecido como maré astronômica, que está em seu ponto máximo em Santa Catarina. O forte recuo do mar, que já ocorreu neste mês e está voltando agora, ainda está relacionado a outro fenômeno.
"O que explica esse recuo acentuado é o que a gente chama de maré meteorológica. É a ação do vento sobre a superfície do mar, que retira toda essa água da costa e leva para a região oceânica. São ventos intensos de quadrante nordeste soprando por uma longa extensão do mar. Esse vento gera uma corrente sobre a superfície do mar e essa corrente, em função do movimento de rotação da Terra, retira toda a água para fora na direção oceânica. É por isso que a gente percebe nas praias redução mais acentuada do nível do mar", explicou o oceanógrafo da Epagri Carlos Eduardo de Araujo.
Segundo ele, a ocorrência de maré baixa no início do mês foi mais acentuada. "A gente vai ver o fenômeno ocorrendo, de forma bastante intensa. Mas não tanto quanto o último evento porque tanto a intensidade quanto a extensão que o vento sopra sobre o oceano são menores do que no último evento".
Horários dos picos de maré nesta sexta (25)
Florianópolis
Pico da maré baixa: 12h47 com 0,4 m
Pico da maré alta: 17h02 com 1,1 m
Pico da maré baixa: 21h com 0,2 m
Imbituba
Pico da maré baixa: 10h04 com 0,1 m
Pico da maré alta: 15h08 com 0,6 m
Pico da maré baixa: 21h43 com 0,2 m
Itajaí
Pico da maré baixa: 08h23 com 0,2 m
Pico da maré alta: 16h51 com 1,0 m
Pico da maré baixa: 21h0 com 0,2 m

São Francisco do Sul
Pico da maré baixa: 10h02 com 0,2 m
Pico da maré alta: 13h28 com 1,0 m
Pico da maré alta: 18h54 com 1,4 m
Pico da maré baixa: 22h39 com 0 m
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                                             Fonte:ROSEMAR APARECIDA ALVES


                                                 Fonte:afpbr


                                               Fonte:Domingo Espetacular